Polarização e crise influenciam postura do eleitor para eleições em 2018

Após quatro anos de polarização e crise, os brasileiros voltarão às urnas e o cenário eleitoral permanece embaralhado. É certo que fazer qualquer exercício de previsão no Brasil tem sido um desafio considerável, porém os mais de 30 anos de redemocratização do país deixam a cargo de uma peça principal o que esperar do Brasil nos próximos quatro anos: o eleitor. É a autonomia da vontade popular que escolherá, mais uma vez, os representantes da população em níveis federal e estadual. E a grande pergunta é: como este eleitor irá às urnas? Nesta reportagem, ODIA escutou especialistas de diferentes áreas e os protagonistas deste pleito para debater que cenário pode se esperar das eleições de 2018.

Para Bruno Mello Souza, doutor e mestre em Ciência Política, o ambiente que envolve o eleitorado brasileiro para o pleito de 2018 é de descrença em relação aos políticos e às instituições. Isto porque, como explica o pesquisador, o eleitorado brasileiro foi se irmando, ao longo do tempo, à margem da real participação política no país.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

“É um eleitorado que, em grande parte, costuma votar em pessoas, deixando partidos em segundo plano, e inclusive a ter certo orgulho disso. Em comparação com 2014, a eleição de 2018 tende a, novamente, gravitar em torno do petismo/antipetismo. O que muda é que se antes o PSDB aparecia como uma força vista como antagônica ao PT, hoje ele é visto como mais do mesmo”, destaca Bruno. Para o pesquisador, a tendência da negação aos partidos e políticos tradicionais é bastante forte. “É difícil prever antes de as peças se posicionarem devidamente no tabuleiro e sem o desenvolvimento da campanha, que segue uma dinâmica muito própria. Porém, mais do que nunca, está posta a oportunidade de êxito de uma candidatura "outsider", ou que pelo menos tenha capacidade para se vender como tal, e captar o espírito de insatisfação vindo do "clima de opinião" existente no país”, afirma.

Outsider é a expressão em inglês usada para definir aquele perfil ‘fora’ da tradicional figura do político. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa define o outsider como a “pessoa que não pertence a determinado grupo; estranho, intruso, forasteiro”. Encaixam-se nesse parâmetro, por exemplo, nomes que já foram ventilados para a disputa eleitoral de 2018 como João Doria, Henrique Meirelles, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, que se colocam em um certo padrão do ‘antipolítico tradicional’ e querem mostrar-se diferentes de tudo o que está aí.

Mas na disputa eleitoral que se avizinha, o cenário é plural. Existe o líder nas pesquisas, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva - em uma situação legal precária, e um presidente impopular, que terá dificuldades para influenciar diretamente na escolha do seu sucessor. Em crescente ascensão, encontra-se Bolsonaro a se agigantar por, entre muitos aspectos, insistir em um discurso moralista e com base em pontos chaves no país: a segurança.

“Numa eleição pautada por tantas incertezas e interrogações, a certeza que podemos ter é de que a polarização deve dar a tônica da decisão do eleitorado. Porém, por mais paradoxal que pareça à primeira vista, isso não significa que um discurso moderado não possa colher seus frutos nesse cenário. Há várias formas pelas quais essa polarização pode se materializar na disputa política real. Mesmo que um discurso desse tipo, por si só, dificilmente atraia uma grande parcela do eleitorado, poderia jogar todas as fichas na possibilidade de surgir como "mal menor", como negação de uma força que não se queira ver no poder, como catalisador dos temores de lado a lado. Em suma, alguém que conseguisse aparecer como "menos pior que o PT" para quem hoje prefere Bolsonaro e "menos pior que Bolsonaro" para quem hoje votaria no PT. Esse é o proveito que se poderia tirar”, analisa.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

Democracia como solução

Apesar da conturbação que continua a ser o atual cenário político do país, o pesquisador Bruno Mello avalia que a real efetivação da democracia, com diálogo e participação popular, pode dar impulso para mudanças e reais melhorias.

“Na posição de analistas, nos deparamos também com as aflições e desencantamentos de um cená- rio político desolador. Mas devemos canalizar as mudanças que queremos por dentro da democracia. É pela educação, pela informação, pelo exercício da cidadania, que cada um de nós deve promover transformações no atual estado de coisas. Um primeiro passo para isso, provavelmente, seja desarmar os ânimos”, comenta.

Bruno finaliza reafirmando que ouvir o contraditório, dialogar e sair dos ataques vazios para chegar a consensos - mínimos que sejam - poderão levar toda sociedade a uma situação mais propositiva. “A divisão dos de baixo só contribui para que os de cima permaneçam em suas zonas de conforto, trocando favores e utilizando o patrimônio público para fins privatistas. Essa lógica perversa só pode ser revertida pela atuação democrática e cidadã da população”, finaliza.

Fake News podem influenciar rumos na política

As chamadas Fake News, notícias falsas, tornaram-se uma epidemia que percorre o mundo inteiro. Com o próximo pleito eleitoral, um perfeito campo de batalha se forma para que os embates políticos se tornem cada vez mais acalorados – e distorcidos. Desde o processo que acabou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff, por exemplo, os jogos de informações inverossímeis se propagaram na internet fazendo a já indicada polarização se fortalecer.

 O jornalista e webdesigner, Marcos Sávio, explica que a prática não é tão moderna quanto se acredita, mas tem se ampliado e preocupa em um contexto de eleições. “A Fake News sempre existiu, mas com o advento da internet, ela se potencializou. Mas efetivamente não é uma novidade. Joseph Goebbels, ministro das propagandas nazistas, era um especialista neste assunto. Ele manipulou a sociedade com vídeos falaciosos, de conspiração contra a Alemanha para ganhar a simpatia do povo. É dele a famosa frase “Uma verdade dita mil vezes torna-se verdade” - o termo é a essência do Fake News”, considera.

Principalmente nas redes sociais, como Facebook, Instagram, Twitter e dispositivos de mensagens instantâneas como o Whatsapp, as notícias falsas circulam em uma proporção assustadoramente veloz. No Twitter, tam- b é m são usados robôs, também conhecidos como bots, que são programas capazes de mover centenas de perfis nas redes sociais que aparentam ser de pessoas.

“Para a maioria das pessoas, é mais fácil compartilhar uma notícia falsa quando a notícia vai ao encontro do que ela acredita. Por exemplo, se uma pessoa de “Direita” recebe uma informação que denigre a imagem da “Esquerda”, dificilmente ela fará uma análise do conteúdo com responsabilidade e certamente passará para a frente, sem avaliar se é verdadeira ou não”, alerta Marcos.

No Brasil, ainda não há punição específica e nem lei para desestimular esta propagação de Fake News.

Fonte: O Dia 

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