Alimentação: veja técnicas para melhorar a qualidade do apetite do seu filho

Recentemente, a nutricionista Bela Gil (filha do cantor Gilberto Gil) recebeu uma chuva de críticas na internet após postar uma foto da lancheira de sua filha, que continha banana da terra fatiada, rodelas de batata doce cozida, granola caseira e água.

Não foi a primeira vez que ela foi alvo de bullying virtual: também foi perseguida quando ensinou a fazer um churrasco de melancia.

Em seu blog, ela respondeu às críticas, afirmando que algumas pessoas não enxergam a alimentação como uma ferramenta política, econômica, social, ambiental e de saúde. “Eu acredito que podemos mudar o mundo através da alimentação e são esses valores que quero passar para a minha filha no dia-a-dia”, disse.

Conversamos com a consultora em alimentação infantil Mayra Abbondanza sobre a polêmica. Para ela, o foco deve estar sempre na qualidade dos alimentos, em vez de olhar a quantidade. Além disso, a especialista acredita que o fortalecimento do vínculo afetivo entre pais e filhos é capaz de determinar o sucesso à mesa.

Confira a entrevista abaixo:

Como você vê o caso da lancheira da filha da Bela Gil?

Acho que a Bela Gil traz uma mensagem de alimentação saudável muito bacana e importante, que deve ser adaptada à realidade de cada um. Existe muito exagero por parte de algumas mães, mas cada caso é um caso.

No que as mães devem focar, ao pensar a alimentação das crianças?

Na minha opinião, o mais importante é se lembrar de que a refeição é um momento de troca e conversa, tem tudo para unir a família e ser gostoso. Os pais não podem perder de vista que esse momento deve ser leve e neutro, sem assuntos polêmicos ou insistência para a criança comer. Além disso, acho muito válido incluir as crianças em todo o processo da alimentação, para que ela se sinta parte dele, se envolva e cada vez mais tenha interesse em aprender, experimentar e cozinhar.

As mães confundem muito quantidade com qualidade dos alimentos que oferecem às crianças?

Sim. Todos nós temos capacidade de perceber quando estamos satisfeitos. Mas, normalmente, os pais insistem para que o filho coma um pouco mais, o que não é bom para o processo. Ao invés de se preocupar com o “quanto”, os pais devem se preocupar com o “que” oferecem aos seus filhos. Ou seja, o foco deve estar na qualidade dos alimentos.

De quais armadilha as mães devem fugir para criar filhos que comem de tudo?

Agência MBPress© Divulgação/ Instagram Agência MBPress

Existem várias, mas posso citar que a principal delas diz respeito a fugir das expectativas porque elas são, geralmente, inatingíveis. Acredito que o envolvimento da criança, usando um apelo lúdico e o fortalecimento do vínculo afetivo, é determinante para o sucesso da alimentação infantil.

De maneira prática, o que os pais podem fazer para que o filho coma bem?

Uma abordagem interessante é oferecer algo fora do momento da refeição, de maneira criativa. Um exemplo seria perguntar à criança que tipo de molho o pai gostaria de colocar no brócolis. O fato de a criança se sentir parte da situação e de saber que sua opinião é valorizada pode despertar a vontade de comer ou experimentar. Outra sugestão é não forçar. Quando a criança não quiser colocar o alimento na boca, ensine-a a tocá-lo com a língua, por exemplo. Diga que ela não precisa comê-lo, apenas tocar com a língua. Aos poucos, a barreira vai sendo quebrada. O importante é não desistir, sem deixar-se levar pela ansiedade.

MSN

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